- Nº 2198 (2016/01/14)

PELA CONSTITUIÇÃO<br>E POR ABRIL

Editorial

Muito marcada pelo resultado das legislativas e seus desenvolvimentos na nova situação política ou por condicionamentos que visaram desvalorizar estas eleições, chegou ao fim a pré-campanha das presidenciais. Este período caracterizou-se pela crescente afirmação da candidatura de Edgar Silva com a realização de um positivo conjunto de iniciativas e pelo recuo da candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa com a progressiva desmistificação da ideia da sua suposta independência e vitória antecipada.

O comício da candidatura de Edgar Silva no passado domingo no Porto, com a participação de mais de quatro mil pessoas (apesar do temporal) e onde intervieram, além do candidato, o Secretário-geral do PCP e a dirigente do PEV, Heloísa Apolónia, foi um grande arranque e iniciativa sem paralelo no quadro da presente campanha eleitoral, forte demonstração do apoio a esta candidatura e grande impulso para a afirmação e dinamização da campanha que temos pela frente.

Estamos agora a dez dias das eleições que se revestem de grande importância e significado políticos já que os seus resultados, pelo que implicam nas opções e orientações do futuro Presidente da República, terão um grande impacto no desenvolvimento da actual situação do País.

Na nova fase em que entrámos, importa, por isso, valorizar ainda mais o projecto e os compromissos da candidatura de Edgar Silva e que são aspectos distintivos de todas as outras: cumprir e fazer cumprir a Constituição, afirmar os valores de Abril, promover a justiça social, bater-se pela defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores e do povo, intervir pela ruptura com a política de direita e pela concretização de uma alternativa política patriótica e de esquerda e dar centralidade à soberania e independência nacionais como valores fundamentais para um Portugal com futuro.

Cada voto em Edgar Silva significará o reforço deste projecto de mudança de política. Mas, ao mesmo tempo, contribuirá para a derrota de Marcelo Rebelo de Sousa, o candidato do PSD e CDS, apoiado pelos grandes grupos económicos e financeiros que gostariam de continuar a poder contar com um Presidente da República como Cavaco Silva, que lhes permita dominar o poder político, subordinando-o aos seus interesses de classe.

À medida que se aproximam as eleições, crescem os sinais de que nada está decidido e ganha força a possibilidade real de derrotarmos o candidato da direita.

É necessário promover o envolvimento de todo o Partido na mobilização e esclarecimento para a importância do voto em Edgar Silva. Mas é igualmente importante envolver os democratas e patriotas, os jovens, todos aqueles que aspiram e se batem pela mudança de política. Nesse sentido, constitui um elemento de acrescida importância a recente decisão da Intervenção Democrática (ID) de apoiar a candidatura de Edgar Silva.

É necessário insistir nas acções de massas e de rua e comprometer todas as energias e esforços na multiplicação de contactos de esclarecimento e mobilização, com especial atenção ao comício do próximo domingo em Lisboa.

Cumpre-se hoje cem dias sobre o novo quadro político saído das eleições legislativas de 4 de Outubro. Por todo o País, as organizações regionais do PCP levam a cabo uma jornada nacional de propaganda com a distribuição de um documento à população. Cem dias sobre a condenação imposta nas eleições de 4 de Outubro ao governo da coligação PSD/CDS e à sua política; cem dias que permitiram abrir caminho a uma solução política que possa assegurar a inversão do rumo de desastre e exploração dos últimos anos; cem dias em que o PCP interveio pela criação de condições que dêem resposta a problemas e aspirações mais imediatos dos trabalhadores e do povo, conseguindo avanços e conquistas que, mesmo parciais, importa consolidar e ampliar.

Foi o caso, na última semana, da reposição dos feriados roubados e vai ser a votação na Assembleia da República, amanhã, de uma proposta do PCP de reposição do horário semanal das 35 horas na Administração Pública.

Avanços e conquistas indissociáveis do desenvolvimento da luta de massas e da acção reivindicativa em diversas empresas e sectores como aconteceu, entre outras, com a greve realizada com expressiva adesão pelos trabalhadores da Petrogal, a luta dos trabalhadores da Alestom que conseguiu contrariar vitoriosamente a descida dos salários e perda de direitos e ainda a luta dos professores do ensino artístico e especializado que conseguiram já o pagamento da maior parte dos salários em atraso.

A nova fase da nossa vida política em que entrámos só foi possível pelo reforço orgânico do PCP e eleitoral da CDU, a mostrar a importância de prosseguir e aprofundar este reforço como condição necessária e insubstituível para novos avanços e aprofundamentos que tornem mais premente a ruptura com a política de direita e a concretização da alternativa política patriótica e de esquerda.

Tendo presente, no entanto, que no vasto conjunto de tarefas que temos pela frente, a mais prioritária de todas é, neste momento, a batalha das presidenciais. E, tal como o PSD e o CDS gostariam que o seu candidato saísse vencedor para, a partir de Belém, iniciar a recuperação da derrota sofrida em Outubro e retomar a política de exploração e empobrecimento, também o reforço da candidatura de Edgar Silva significará a criação de melhores condições para um novo rumo político para o País respeitador de Abril e dos seus valores.